Você não é o seu trabalho

03/11/2016

Muitas pessoas ao se sentirem sem expectativas diante da carreira que escolheram, começam a se identificar com esse estado de desânimo e acreditam que o problema é insolúvel, assumem não serem capazes de mudar de área / carreira e tentam levar a vida como se pode, e isso é muito difícil de se sustentar por muito tempo. Com base nestes e outros aspectos, cometem o erro de atribuírem seu senso de "utilidade" exclusivamente se estiverem ativos profissionalmente.

E durante a maior parte da minha vida, antes de me encontrar em minha nova carreira, eu também acreditei que meu emprego me definia como pessoa. Qualquer atividade que me fosse entregue, o senso de responsabilidade falava mais alto e eu procurava dar o melhor de mim para devolver o resultado esperado (mesmo que fosse alguma atividade que não me agradasse fazer, acreditava que devia dar conta desde que não fosse nada desonesto).

E pegando rapidamente este contexto, quero fazer duas observações:

- Não há como dar aquilo que você realmente tem de melhor para algo que você não se importa de verdade;

- Quando você não acredita naquilo que faz, geralmente, o máximo que você consegue entregar com seu esforço é simplesmente o resultado esperado, ou seja, dificilmente é possível superar expectativas, atingir os mesmos níveis de excelência de quando se faz algo com o coração.

E se eu mesma não tivesse passado por isso, eu diria: "Nossa, mas só doido se mata para ser bom em algo que não gosta de fazer!" - Pois é... E pensar que eu vivi quase 10 dos meus 30 anos de idade me desdobrando para ser a profissional que eu não era.

E isso que eu vivi, milhões de pessoas se sujeitam ao redor do mundo diariamente, pelos mais variados motivos.

Me lembro de um rapaz em uma das empresas que trabalhei que era ex-policial da Rota, ainda apaixonado pela Corporação e por todos os assuntos que envolviam justiça. Havia abandonado as funções para se dedicar a área Fiscal (impostos), atendendo a pedidos de sua esposa e mãe que temiam por sua vida em uma atividade considerada perigosa. Acredito que a disciplina aprendida por ele na vida militar contribuiu para que se mantivesse dedicado e comprometido em suas novas atividades, porém, quando conversávamos sobre a vida na polícia seu semblante se iluminava e ele se transformava em outra pessoa, bem diferente daquela versão introvertida e apática que ele criou para sobreviver no mundo corporativo. Ele sempre me lembrou o Senhor Incrível (da animação Os Incríveis), naquela cena sentado no escritório aprisionando o herói que havia dentro dele.

A diferença entre nós é que ele havia aberto mão de um sonho de vida para se encaixar nos padrões e expectativas de sucesso de outras pessoas. Já eu, sempre buscara me encaixar nos padrões e expectativas de outras pessoas e não conseguia fazer o caminho contrário, de saber qual era o meu sonho de fato. Na época, eu tinha clareza apenas do que não gostava, das coisas que estavam me fazendo mal, mas não conseguia imaginar outras possibilidades sobre o que poderia vir a ser o meu trabalho ideal, algo pelo qual valesse a pena lutar e acreditar.

Algo dentro de mim me cutucava, trazia inquietação e não me deixava conformar que a vida se resumia a crescer, estudar, bater o cartão trocando tempo por dinheiro, aposentar e morrer.

Após alguns anos buscando respostas, refletindo por que me mantive presa àquele ritmo de vida de "suportar" o meu trabalho até o fim do expediente, cheguei a 2 fatores e quero compartilhá-los com você:

Sensação de pertencimento: aquela necessidade de ser parte de um grupo interessante, parte de uma tribo, de um meio aparentemente seguro, conhecido (ainda que desconfortável). Para me manter inserida naquele mundo de executivos e pessoas aparentemente bem sucedidas, passei a procurar com todas as forças me adaptar, copiar a linguagem, estilo, formas de agir... Minha personalidade, individualidade e liberdade de ser quem eu sou foram sendo, aos pouquinhos, sufocadas por mim mesma sem notar.

Resistência: por dentro eu sabia que tudo estava desmoronando, mas por não saber por onde começar a mudança, ignorei meus clamores internos até o limite tentando me ajustar àquela realidade que meus colegas de empresa encaravam super bem sem sofrer da maneira como eu estava.

E se você está passando por qualquer coisa parecida com isso, permita-me te contar 3 coisas simples e poderosas que aprendi após fazer a travessia:

1 - Por mais que você ame ou odeie o seu trabalho, ele não te define.

Muitas vezes nos identificamos com nossas conquistas ou perdas a ponto de permitir que elas nos digam o quanto valemos para o mundo, e não raramente, julgamos as pessoas da mesma forma, infelizmente. Somos muito mais que isso, mas muitas vezes nos apegamos a estes rótulos.

Comparamos nosso nível profissional aos degraus e "palco" construídos por outras pessoas mas precisamos ter a sensibilidade de perceber se de fato conseguimos nos inspirar desta forma ou se fazer isso nos colocamos ainda mais para baixo. Compare sua evolução pessoal a si mesmo.

Uma vez ouvi uma frase que fez muito sentido para mim: "Somos seres espirituais vivendo experiências humanas." De fato, a maioria das experiências que vivemos no dia a dia podem ser escolhidas por nós. Viemos ao mundo e o deixaremos sem nada além das experiências.

Essa fase que atravessa hoje é uma experiência, não é você. Curta a jornada, aproveite, festeje, experimente os sentimentos, cresça, aprenda, conquiste, recomece sempre que necessário. cada minuto é uma possibilidade para novas experiências e cada um carrega em si um Universo inteiro a ser explorado. Não vista rótulos de cargos, ok?

2 - Quando nada é certo, tudo pode ser escolhido.

Há diversos caminhos para chegar a um trabalho / negócio sustentável, que faça sentido diante do que acredita e que também seja sinônimo de leveza para você. Ao longo da jornada surgirão diversos sentimentos como euforia, dúvida, agitação... e a maneira como você lida com as situações e sentimentos também pode ser escolhida.

3 - Trabalho não é obrigação, é liberdade.

Durante muito tempo acreditei que trabalho fosse uma obrigação e interpretar a vida desta forma me trouxe muitas dores pois, tudo aquilo que é obrigação, é demasiadamente pesado, sem paz.

Depois da superação da depressão, comecei a observar "por quê" as pessoas (e eu) trabalham e como seria o mundo se ele não existisse. Imagine se todos já tivessem tudo, como seria a nossa interação na sociedade? A raça humana talvez nem existiria mais, o cérebro precisa de desafios para se manter vivo, ativo, em desenvolvimento. A vida precisa se manter em movimento e ela não é só trabalho, mas ele é uma parte importante dela ;)

A questão é que nem sempre a escolha da ocupação é feita alinhada com aquilo que você adora fazer e faz muito bem, na maioria dos casos, é apoiada exclusivamente que vai trazer mais e mais dinheiro.

O dinheiro é sim muito importante, eu também adoro, mas o erro é colocá-lo acima de tudo e anular-se como indivíduo, passando a replicar padrões ao qual você não se encaixa, por um trabalho que não agrega nada ao desenvolvimento daquilo que você tem de melhor na sua essência. Dinheiro pelo dinheiro cria âncoras ao invés de asas.

Defendo que cada um merece encontrar aquele trabalho no qual possa sentir-se livre para pensar, se expressar, contribuir, crescer, desenvolver, evoluir e apaixonar-se para fazer o seu melhor todos os dias e, por consequência, ser muito bem remunerado por isso, garantindo os recursos necessários para as coisas que exigem dinheiro na vida.

Quando você vê propósito no trabalho que é capaz de realizar, é exatamente esta Liberdade que te convida permanecer nele, que te faz lutar por livre e espontânea vontade. E mesmo que você precise empenhar horas a mais em um projeto, sabe que cada minuto vai valer a pena e pára de trabalhar pensando exclusivamente no valor da hora-extra no fim do mês.

E como Coach, não poderia encerrar este artigo sem deixar algumas perguntas:

O que você tem muita vontade de fazer na sua carreira / negócio mas ainda não fez? O que está impedindo você? Por quê?

Olá! Sou Aline Macedo e atuo como Coach de Liberdade Profissional ajudando homens e mulheres que se sentem insatisfeitos ou frustrados sobre suas escolhas profissionais a construírem uma nova carreira ou negócio leve e com significado, recuperarem sua autoestima, superarem medos e bloqueios e colocarem seus maiores talentos e paixões no mundo em forma de um trabalho que gere realização, felicidade, renda e segurança financeira.

Sempre ouvi aquelas pessoas que dão "piti" em público sendo chamadas de mal-amadas e minha interpretação sobre essa expressão, era de que o parceiro / parceira amoroso dessa pessoa não estava fazendo direito seu papel... Quando casei aos 21 anos, eu e meu esposo fizemos o cursinho de noivos e, em uma em uma das conversas com o...