Trabalhar fazendo o que ama – Uma fuga?

09/09/2016

Dias atrás, li um comentário que dizia algo mais ou menos assim:

"Quem vive em busca de trabalhar com algo que gere satisfação imediata está em uma crise de identidade, em fuga de si mesmo, procurando ocupar-se com prazeres que lhes tire momentaneamente dos problemas reais do dia a dia, e isso não se sustenta".

Refleti a respeito durante algum tempo, confrontei minhas próprias idéias e convicções, revisitei cases de clientes e concluí que SIM. Realmente, quem mergulha em trabalhar com o que ama está em fuga.

São pessoas que estão buscando afastar-se da dor de viver uma vida profissional sem sentido. Fugindo de morrer aos 25 anos e só ser enterrado aos 90. Fugindo de trabalhar longas horas, longos anos em troca apenas de dinheiro (e olhe lá). Pessoas que se desconectaram tanto de si mesmas ao tentarem adaptar-se a um padrão no qual nunca se encaixaram.

São pessoas que não conseguem esperar mais 5, 10, 15 anos para poder ser feliz. Que não podem esperar a aposentadoria para começar a viver. São pessoas que enxergam seus problemas reais do dia a dia e não podem mais ignorá-los. Pessoas que não podem mais ser um indivíduo em casa e com amigos, e outro no ambiente de trabalho. Pessoas competentes, que tem medo de errar sim, mas que compreendem que é no HOJE que construímos o amanhã que queremos viver. Pessoas que tem urgência de serem felizes a partir de agora, ressignificando as coisas na prática. Pessoas que entendem que não existe uma bolha segura no emprego CLT e que o empreendedorismo ou trabalho autônomo não são um conto de fadas, mas que independentemente da escolha que fizerem, essa escolha tem que fazer sentido PARA ELAS.

Vejo muita gente que ainda torce o nariz e olha com preconceito e desdenho para o "trabalho com propósito", talvez por não compreenderem a fundo o que isso significa; Outros, porém, acreditam que quando enfim trabalharem com aquilo que amam, a vida será um mar de rosas; Há outros ainda, que sempre gostaram do que fazem e simplesmente não conseguem compreender como é que alguém pode "sofrer" na carreira; Há também quem consiga equilibrar a vida fazendo o que não gosta durante a semana para poder curtir o que gosta no final de semana; Também tem aqueles que estão à margem dos padrões "politicamente competitivos para o mercado de trabalho" e buscam diariamente se provar capazes, buscam e superam desafios diários como preconceito racial, de gênero, de idade, de classes... Há aqueles que se julgam menos capazes e acham que não podem se dar "ao luxo" de escolherem trabalho.

O fato é que TODOS, sem exceção, têm o direito ao Livre Arbítrio. Por mais desfavorável, injusta, sem saída e cruel que a vida possa lhe parecer neste momento, acredite: Você pode mudar o rumo da sua história sim! Sempre que decidir fazer isso e se comprometer em ter uma vida digna.

Não, não é fácil. Não é do dia para a noite. Não é instantâneo. Mesmo quem já trabalha com o que ama, assim como eu, muitas vezes precisa fazer o que não gosta tanto para poder trabalhar com o que ama. É um processo de coragem muito grande, de sair diariamente da zona de conforto e querer fazer MAIS, por que você sabe que vale a pena! Não há sacrifício, há trabalho intenso e focado. Exigirá de você forças que nem imagina que estão aí, escondidas. Exigirá um grau de comprometimento e uma auto-motivação para os momentos em que ninguém te apoiar;

Mas passar para esse lado, da realização e felicidade profissional te trará sede de vida! Faz sentido para você? Já sentiu isso alguma vez?

Eu não nasci em berço de ouro, pelo contrário, sempre fui uma das responsáveis pelo orçamento doméstico desde os 16 anos, ajudando meus pais. Meu pai é eletricista de ônibus e minha mãe doméstica, e com esse dinheiro fui criada e educada, com orgulho! Estudei a vida inteira em escola pública, fui bolsista no cursinho pré-vestibular e no Prouni, já precisei chorar muito desconto em cursos que eu queria fazer e não tinha condições. Ralei muito, venci preconceitos dos mais diversos (por ser mulher, por ser mãe, por ser jovem, por ser pobre e até por ser estudiosa...). As oportunidades nunca caíram no meu colo. Precisei estudar para tirar as maiores notas que podia, assumi responsabilidades por grandes projetos sem receber um centavo a mais por isso, senti a dor da frustração e desci ao "vale da depressão". Me reinventei, me redescobri com muita dificuldade, "autolapidação" e contando com poucos apoios, porém fundamentais. Refiz minhas estratégias equilibrando com dificuldade a lógica e a emoção. O que funcionava e o que não me servia mais.

Fazer a minha transição de carreira e buscar algo que eu amasse fazer não foi fácil, não joguei tudo para o alto, não foi uma busca de prazer imediato. Foi uma busca por significado, por coisas que tivessem haver comigo, que me permitissem ser quem eu sou e ser remunerada por algo que faz sentido para mim. Em nenhum momento, digo aos clientes aquilo que devem e o que não devem fazer, analisamos juntos as conseqüências de cada decisão e seus reflexos dentro daquilo que fazem sentido para cada indivíduo.

Mas trabalhar com o que ama, fazer o que gosta se sustenta de verdade?

Depende. Não basta querer e acreditar, tem que fazer, colocar a mão na massa! Qualquer trabalho que você escolha exigira esforço, empenho, dedicação, compromisso, pensar fora da caixa e desafios. A diferença é que para quem faz aquilo que adora, esses obstáculos são superados com gosto de "quero mais", e não com aquela sensação de "Falta muito para 18h?"

E você? Já trabalha com aquilo que ama? 

Olá! Sou Aline Macedo e atuo como Coach de Liberdade Profissional ajudando homens e mulheres que se sentem insatisfeitos ou frustrados sobre suas escolhas profissionais a construírem uma nova carreira ou negócio leve e com significado, recuperarem sua autoestima, superarem medos e bloqueios e colocarem seus maiores talentos e paixões no mundo em forma de um trabalho que gere realização, felicidade, renda e segurança financeira.

Sempre ouvi aquelas pessoas que dão "piti" em público sendo chamadas de mal-amadas e minha interpretação sobre essa expressão, era de que o parceiro / parceira amoroso dessa pessoa não estava fazendo direito seu papel... Quando casei aos 21 anos, eu e meu esposo fizemos o cursinho de noivos e, em uma em uma das conversas com o...