Trabalhar e Maternar - Parte 1

19/01/2016

Quando menstruei pela primeira vez aos 13 anos, o primeiro pensamento que veio à minha mente foi "agora já posso ser mãe" (risos). Não sei por qual razão pensei nisso pois nunca havia tido este tipo de sonho, nem mesmo brinquei muito de boneca... Adorava bicicleta, bola, polícia e ladrão, Cavaleiros do Zodíaco, etc.

Na fase adulta, esse projeto de ser mãe era planejado para quando eu estivesse com meus 30 anos (idade que tenho hoje ao escrever este texto), somente após concluir a faculdade, morar sozinha durante um tempo, casar com calma, curtir o marido, viajar muito, etc.

O fato é que num descuido, eu e meu namorado (hoje meu marido) nos vimos grávidos ainda faltando 2 anos para terminarmos a faculdade. Com o apoio de nossos pais, superamos os desafios, nos casamos, nos formamos e atualmente nosso filho Paulo tem 8 anos.

Pode parecer clichê mas é uma verdade: depois da maternidade, toda mulher muda. Você deixa de olhar para o próprio umbigo e precisa lembrar constantemente que 90% de suas decisões refletirão fortemente na vida daquela pessoinha pela qual você é responsável agora. O que você fala, faz, come, demonstra, servirão como exemplo para aquele ser tão pequeno que absorve, percebe e sente tudo muito rapidamente.

Como eu saí de licença maternidade de um dia para o outro devido ao parto de urgência, não havia tido tempo hábil para treinar outra pessoa para minhas funções. Devido a um problema durante a gestação, meu filho nasceu com 7 meses e meio, com 1.190 kg. e permaneceu mais de um mês na UTI neonatal para ganhar peso.

Pouco depois de uma semana após sua alta tão esperada, funcionários da empresa na qual eu trabalhava estavam na minha casa para eu treiná-los para tocarem o meu serviço. Meu filho no carrinho ao meu lado e do outro lado da mesa 3 pessoas absorvendo todo o conteúdo que eu tinha para passar e tirando dúvidas sobre o que e como eu, aos 21 anos, auxiliar de qualidade, fazia.

Na verdade, eu exercia função de coordenação, mas não recebia para isso. Eu era a única funcionária do meu departamento e por essa razão, ninguém mais na empresa sabia fazer tudo aquilo que eu sozinha dava conta.

Sempre amei ensinar e ajudar outras pessoas a se desenvolverem, mas mal sabia que ao retornar da minha licença maternidade, 2 daquelas 3 pessoas que eu havia treinado (mais experientes que eu e sedentas por uma promoção), já estavam articulando a minha saída. Aproximadamente 15 dias após meu retorno fui desligada da companhia com uma desculpa esfarrapada.

Esse "pé na bunda" me permitiu amadurecer pessoal e profissionalmente em vários aspectos, mas principalmente, me conectou ao desejo que eu tinha de ficar em casa mais tempo cuidando do meu filhote, que devido a prematuridade, ainda necessitava de muito amor, atenção e acompanhamento de diversos especialistas para seu desenvolvimento saudável.

O fim da licença maternidade não é fácil nem para o bebê e nem para nenhuma mãe, por mais que ela se prepare. Os primeiros meses de vida da criança até o andar, são importantes para o desenvolvimento de qualquer indivíduo pois envolvem aleitamento correto, cuidados, conexão, etc. Essa separação para o retorno da mãe poderia acontecer de forma flexível e gradativa, com tempo para os 3 lados - criança, família e empresa - se adaptarem.

Recentemente soube que nos EUA as mulheres têm ainda menos tempo para ficarem em casa com suas crianças após o nascimento. Não há creches públicas e qualquer creche particular ou serviço de babá é extremamente caro.

Como podemos observar, a cultura na grande maioria das empresas (independentemente do país) é bastante inflexível em relação a este período delicado da vida feminina. Tudo muda na vida e essência da funcionária após a maternidade, mas somos obrigadas a viver como 2 pessoas distintas. Infelizmente, em muitas empresas, mulheres com filhos são vistas como um problema iminente.

Quanto a nós, mulheres, mães e futuras mamães, não podemos nos vitimizar diante destes dados. Muita coisa nas culturas organizacionais precisa ser melhorada, mas cabe a nós fazermos a nossa parte no dia a dia. Nos respeitarmos como profissionais competentes antes de exigir isso dos outros, garantir nosso espaço diante de um trabalho que nos faça sentido quer seja no mundo corporativo ou fora dele e principalmente, não abrir mão de sermos quem somos, mães, femininas e guerreiras em nossa essência.  

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Se você quer saber mais sobre este assunto, acompanhe a parte 2 deste artigo aqui: Trabalhar e Maternar - Parte 2 

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Olá! Sou Aline Macedo e atuo como Coach de Liberdade Profissional ajudando homens e mulheres que se sentem insatisfeitos ou frustrados sobre suas escolhas profissionais a construírem uma nova carreira ou negócio leve e com significado, recuperarem sua autoestima, superarem medos e bloqueios e colocarem seus maiores talentos e paixões no mundo em forma de um trabalho que gere realização, felicidade, renda e segurança financeira.  

Sempre ouvi aquelas pessoas que dão "piti" em público sendo chamadas de mal-amadas e minha interpretação sobre essa expressão, era de que o parceiro / parceira amoroso dessa pessoa não estava fazendo direito seu papel... Quando casei aos 21 anos, eu e meu esposo fizemos o cursinho de noivos e, em uma em uma das conversas com o...