Sobre ser "livre de"​ e ser "livre para"

26/12/2016

Imagine se te dissessem que você não precisa necessariamente fazer mais nada daquilo que estava programando para seu dia / semana / mês / semestre, e que agora você tem um livro de vida com número indefinido de páginas em branco, uma oportunidade de re-escolher o que fazer com cada novo minuto que tem pela frente, que agora você pode tirar um tempo para si e repensar o que quer e o que não quer mais na sua vida, reprogramar sua nova rotina.

Para uns isso pode ser libertador, para outros assustador. Eu, particularmente, quase entrei em pânico quando aconteceu comigo em 14/11/2011, data em que o médico afastou-me do trabalho após uma grave crise de stress, e me deu um conselho parecido com este.

Após isso, percorri um caminho buscando me libertar de coisas que me deixavam infeliz, incomodada, coisas que traziam angústia. Iniciei este processo após o diagnóstico de depressão e ansiedade generalizada, um período de reflexão importante onde pude despertar para como eu convivia com milhares de detalhes que me deixaram acostumada e conformada com a tristeza interior.

Cresci ouvindo que eu precisava ser sempre compreensiva, que precisava me adaptar, me moldar. Que era feio ou pecado sentir emoções como raiva, fúria, mágoa e não sobre como saber lidar com elas, muito menos sobre suas consequências. E assim, passei a internalizar muita coisa, já que no meu ambiente familiar era literalmente proibido conversar sobre aquilo que me desagradava, sobre o que me entristecia.

Passei a guardar minhas emoções no bolso e operar no modo passivo, deixando a vida e as pessoas ao redor me mostrarem o que era esperado de mim, e como uma camaleoa adaptava-me, com o único intuito de evitar sofrimento, discussões e o risco de rejeição.

O lado bom disso é que hoje sou uma pessoa flexível e colaborativa. O lado não tão bom é que, até tempos atrás, eu havia criado mil versões de mim mesma para agradar aos outros e não sabia mais em qual acreditar. Criei uma Aline durona para esconder meu lado delicado, sensível, sonhador. Criei uma Aline extremamente ocupada, para me esconder de não saber como lidar com meu tempo livre.

É, pode acreditar, ficar sem fazer nada às vezes assusta. Principalmente quando se trata de uma pausa forçada como uma doença ou desemprego. Quando isso acontece, de um dia para o outro, você tem tempo para pensar em diversas coisas que negligenciou justificando estar muito ocupado. Fica frente a frente com uma lacuna, um vazio, com uma pergunta ecoando na mente: "E agora?"

Só consegui fazer melhor uso do meu tempo quando parei de pensar demasiadamente em tudo o que eu DEVERIA fazer (como uma obrigação) e troquei por PODERIA (como possibilidades, oportunidades), então, a vida passou a fluir em outra frequência.

Neste processo de parar de tentar me "LIVRAR DE" coisas que eu não queria e tomar consciência de que na verdade sou "LIVRE PARA" fazer escolhas mais alinhadas com minhas reais necessidades e sentimentos, fui encontrando grande paz e leveza de espírito. Parei de me privar de momentos que lá na frente farão falta e passei a fluir de modo a possibilitar que eles aconteçam agora.

Mesmo diante de compromissos burocráticos procuro sempre me lembrar do "por que" e "para que" estou realizando aquela atividade e se, de fato, ela é tão importante. Assim tenho cada vez mais claro que realizá-la ou não é uma escolha, e que haverá consequências que eu mesma optei lidar.

Eu trouxe este conceito de Liberdade para minha carreira e para o trabalho que desenvolvo, ajudando pessoas a ficarem mais claras das amarras ou angústias das quais estão tentando se libertar em direção à novas opções de vida profissional. As ajudo a serem "livres para" aquilo que elas entendem como necessário às suas vidas neste momento.

Às vezes as pessoas vivem anos sendo muito menos do que aquilo que poderiam ser, agarrados a uma pseudo-segurança não apenas de salário e status, mas principalmente de normas, de hierarquia, dependentes de alguém que lhes cobre resultados, prazos, que lhes diga o que fazer depois, o que fazer dentro de padrões preestabelecidos. A porta da gaiola está sempre aberta, mas apesar de todo o sofrimento de segunda a sexta, preferem permanecer lá dentro ao usar suas asas para alçar o voo que são capazes.

Ser livre é difícil. Implica responsabilidade de escolha, de não ter em quem colocar a culpa caso tudo aconteça diferente da expectativa.

"A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo de responsabilidade." Sigmund Freud

Sinto-me privilegiada em auxiliar pessoas em seus processos de re-escolhas profissionais, quando semana após semana elas se redescobrem e se empoderam de quem verdadeiramente são e, com autonomia, dão seus próprios passos na direção correta, dizendo sem medo SIM ou NÃO para aquilo que sabem que fará seu coração em paz, permitindo-se cumprir suas missões aqui neste mundo: ser elas mesmas realizando um trabalho que seja a expressão daquilo que elas fazem com excelência natural, com genialidade, e que acima de tudo, adoram fazer (sem o peso da obrigação).

O objetivo não é oferecer fórmulas mágicas, dicas prontas, mas fazer pensar sobre o caminho e a rota mais assertiva para chegar ao destino final, ser feliz, realizado pessoal e profissionalmente,

E você, tem buscado ser "livre de" ou já se reconhece ser "livre para"?

Abraços e Sucesso!

Aline Macedo

Ajudando homens e mulheres que se sentem insatisfeitos ou frustrados sobre suas escolhas profissionais a descobrirem e trabalharem com o que amam, sendo bem remunerados por isso e sendo eles mesmos.  

Autora do E-book 3 passos para conquistar o Apoio familiar na mudança de carreira e do Planner 2017 - para organizar pensamentos em pequenas ações e criar sua revolução pessoal, alcançando mais resultados, felicidade, realização e liberdade (inclusive financeira)

Criadora da Série 20 Segredos sobre como mudar de trabalho e fazer o que você ama!