Sobre alguns erros que cometi até me encontrar profissionalmente

03/03/2016

No mundo dos negócios, quanto mais alto você estiver na Pirâmide da Hierarquia, menos toleráveis os erros se tornam devido ao grande impacto que podem causar. A pressão para ser perfeito, impecável, muito acima da média, torna-se cada vez maior.

Mas somos seres humanos. Imperfeitos. Acertamos muito, porém, é principalmente quando erramos que damos saltos quânticos em aprendizado e crescimento.

No empreendedorismo, vemos muitos exemplos de empresários e grandes líderes admitindo que seus erros foram degraus importantes para seu desenvolvimento e construção do seu sucesso.

Já no mundo corporativo, admitir que cometeu um erro pode ser considerado heresia. Dependendo da organização e do seu líder, errar pode fechar portas no emprego atual e no próximo durante um período (mesmo que você já o tenha corrigido), afinal, geralmente o que é lembrado no seu histórico profissional na hora das avaliações e recomendações é o bendito erro e não como você o corrigiu, o que aprendeu, como isso contribuiu para você e o grupo, tão pouco todos os seus acertos anteriores.

Neste artigo não quero abordar como os mais variados tipos de profissionais e empresas lidam com seus erros, mas como eu mesma pude aprender com os meus.

Erro 1: Quanto à NÃO escolha da profissão

Consegui meu primeiro emprego através de um curso profissionalizante para jovens de baixa renda. No primeiro dia, já não me identifiquei com a atividade que consistia basicamente em tentar anotar as vendas das lojas para gerar relatórios de fiscalização para a Administração de um Shopping Center. Em outro artigo conto essa parte da história com detalhes. Por que aceitei permanecer neste emprego que não havia gostado? Era uma jovem de 16 anos sem experiência que precisava ajudar financeiramente aos pais. Não queria decepcioná-los, sempre fui ótima aluna e não queria desistir na primeira dificuldade no mercado de trabalho. Foi neste primeiro emprego, inspirada no modelo de sucesso dos meus superiores, que escolhi fazer a mesma faculdade que eles, Ciências Contábeis. No decorrer do curso e mais tarde no ambiente corporativo, me questionava constantemente se aquilo era realmente o que queria.

Consequências: Quando vi que aquele primeiro emprego assemelhava-se a uma tortura para mim, ainda me mantive naquela situação por vergonha, por medo do que os outros iriam pensar, medo de não conseguir outro emprego, medo ficar "queimada" no mercado logo no início da carreira... Não ter desistido naquele momento e refletido sobre ao que eu realmente gostaria de me dedicar, me levou a caminhos de frustração anos depois.

Aprendizado: Eu tinha a escolha de buscar o apoio dos meus pais, que sempre foram muito compreensivos neste aspecto, mas o fato de insistir me possibilitou compreender que às vezes precisamos passar pela experiência na pele para ter certeza daquilo que realmente faz sentido ou não para você. Entendi a importância da clareza daquilo que queremos e do que não queremos. Se não der certo, ainda existem inúmeros caminhos para descobrir. Para se dedicar a algo de coração, precisa fazer sentido. Fez uma escolha errada? Saiba que você não precisa ficar preso ao que te faz mal durante anos.

Erro 2: Medo de julgamentos

A baixa autoestima, insegurança, e a busca de apoio em terceiros me acompanharam durante alguns anos. Neste período me tornei uma pessoa altamente influenciável, com pouca opinião, seguindo sempre o comando dos outros em detrimento do que eu achava ser correto. Tudo para não gerar conflito e ser aceita.

Consequências: Tornei-me uma pessoa amedrontada, com postura pessoal fragilizada durante um período. Perdi oportunidades de ser levada a sério por aparentar ser uma pessoa indefesa, que não aguentava muita coisa.

Aprendizado: Não me posicionar diante dos fatos era ainda mais desgastante que dialogar sobre uma idéia. Aprendi a não aceitar tudo sem questionar e nem rejeitar tudo sem questionar. Desenvolvi a capacidade de receber a informação, filtrar, analisar, argumentar, concluir sob a minha própria ótica. A minha percepção e a minha consciência sobre mim mesma estão em primeiro lugar hoje.

Erro 3: Rejeição à minha essência pessoal

Uma característica comum entre mulheres executivas é adotar traços de personalidade masculinos para equiparar-se, tentar ganhar espaço e respeito. Comigo também aconteceu. Passei a sufocar e esconder qualidades que definiam minha individualidade, tais como carisma, comunicação empática, criatividade, sensibilidade, etc., pois erroneamente acreditava que deveria me tornar outro tipo de pessoa para ganhar respeito e reconhecimento.

Consequências: Fui me tornando uma pessoa cada vez mais formal, comparecendo a reuniões com um arsenal de palavras duras, disposta a batalhar para defender o que eu havia construído com esforço sobre-humano (uso essa expressão pois afinal, eu no fundo não gostava de tudo aquilo).

Aprendizado: Interpretar um personagem diariamente cansa. Você se afasta cada vez mais de si e para se reencontrar demora, dói, exige esforço e grandeza. Assumir quem você simplesmente é e saber conduzir sua carreira e vida pessoal de acordo com isso, é libertador.

Erro 4: Relacionamentos profissionais imaturos e briga de egos

Sempre busquei tratar a todos com o devido respeito. Apesar de ter uma colega ou outra mais chegada no trabalho, sempre evitei panelas e grupinhos, mas confesso que em alguns momentos caí nesta armadilha. Tudo se inicia com um comentário, um compartilhamento de informação na "rádio peão", até evoluir para críticas ácidas e briga de egos.

Consequências: Tentando agradar a todos e para não magoar minhas colegas, fui me afastando delas e da "panela" progressivamente, o que gerou desconforto, ciúmes infantil e mal entendidos entre amigas. Perdi amizades simplesmente por não ter deixado muito claro que não queria fazer parte de fofocas, julgamentos e preconceitos.

Aprendizado: A importância de falar francamente que não gosto de discutir sobre pessoas na ausência delas, que gosto de conversar sobre idéias. Quando temos um problema com alguém, devemos resolver diretamente com a própria pessoa sem comentar NADA com ninguém do ambiente corporativo, nem mesmo para pedir opinião. Se você for líder, cuidado redobrado com isso. Chame as partes envolvidas para conversarem e se resolverem o quanto antes, para não contaminar todo o clima da organização.

Erro 5: Ocupar o lugar de outra pessoa ao invés do meu

Algo que justifica a baixa oferta de mão de obra qualificada para vagas em aberto, são pessoas certas alocadas nos lugares errados. Psicólogos em essência trabalhando como Gerentes de Vendas; Doceiras trabalhando como Analistas de T.I.; Pizzaiolos trabalhando como Advogados; Profissionais de Publicidade trabalhando como Contadores; Enfermeiros trabalhando como Vendedores, Food Truckers trabalhando como Engenheiros e assim por diante. Hoje entendo perfeitamente que a falta de vontade de me dedicar mais e me especializar em Controladoria, Normas Contábeis, Impostos, Leis etc. estava intimamente ligada ao fato de que eu não era este tipo de profissional na minha essência. Eu apenas estava, mas não era de fato.

Consequência: Não posso dizer que perdi tempo pois esse período contribuiu para quem sou hoje, mas abri mão da minha felicidade, da minha missão e paixão em trabalhar com o desenvolvimento de pessoas durante muito tempo.

Aprendizado: De nada valem status e dinheiro, principalmente se diariamente você morre um pouco por dentro. Hoje entendo que, apesar de existir um grande número de Coaches, o meu trabalho é diferenciado, passei por experiências importantes e posso agregar cada vez mais valor a ele, posso me especializar e buscar melhorar constantemente pois é algo que corresponde ao meu chamado de vida! Um lugar singelo, mas só meu e que ninguém pode ocupar. Sem passar pelas experiências, dores, ganhos e perdas do mundo corporativo, eu não seria capaz de entender e contribuir tão profundamente com as pessoas que ainda não conseguiram se encontrar e que hoje buscam pela minha ajuda.

Erro 6: Insistir no erro

Num determinado ponto da vida corporativa, minha vida pessoal estava uma bagunça! Eu não tinha tempo para nada, nem para ninguém, só para trabalhar. Aceitar que eu estivesse trilhando um caminho nocivo, infeliz, era admitir o fracasso e a fraqueza (no meu ponto de vista distorcido da época). Acreditava que deveria ser forte, implacável, aguentar até o final, e que um dia aquilo tudo tinha que, de alguma maneira, valer a pena (eu havia me tornado meu próprio carrasco, mas não percebia).

Consequência: A soma de pequenos fatores mal resolvidos, profunda culpa e insatisfação quanto ao rumo que minha vida estava tomando, me trouxeram um quadro de ansiedade e depressão. Permaneci 2 anos afastada do mundo corporativo tentando me encontrar e me regenerar como ser humano, a base de terapias, remédios, idas e vindas a Perícias do INSS. Depois de recuperada ainda tentei retornar para o mercado, mas após 3 meses de trabalho enxerguei com total clareza que, definitivamente, ambos não servíamos mais um para o outro.

Aprendizado: Antes de querer atender ao mundo exterior, primeiramente você precisa cuidar e zelar pelo seu mundo interior. A distância entre a sanidade e os transtornos psicológicos é muito menor do que podemos imaginar. Zele pelo seu bem estar em primeiro lugar, para depois conseguir cuidar de alguém ao seu redor e, consequentemente, exercer um trabalho que expresse aquilo que você nasceu para fazer.

E você? Sente que precisa se encontrar profissionalmente? Quais os erros que tem cometido na ânsia de acertar? 

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Ás vezes na ânsia de acertar também podemos ser surpreendidos pelo medo do fracasso. Você sabe como lidar com ele? Veja mais neste artigo aqui: 

Medo do fracasso

Permita-se reinventar e ser livre para trabalhar com o que ama de forma leve e sustentável!

Olá! Sou Aline Macedo e atuo como Coach de Liberdade Profissional ajudando homens e mulheres que se sentem insatisfeitos ou frustrados sobre suas escolhas profissionais a construírem uma nova carreira ou negócio leve e com significado, recuperarem sua autoestima, superarem medos e bloqueios e colocarem seus maiores talentos e paixões no mundo em forma de um trabalho que gere realização, felicidade, renda e segurança financeira.  

Sempre ouvi aquelas pessoas que dão "piti" em público sendo chamadas de mal-amadas e minha interpretação sobre essa expressão, era de que o parceiro / parceira amoroso dessa pessoa não estava fazendo direito seu papel... Quando casei aos 21 anos, eu e meu esposo fizemos o cursinho de noivos e, em uma em uma das conversas com o...