Qual a melhor forma investir em si, em uma era tão competitiva?

12/01/2017

Se você fosse investir agora no seu melhor "eu futuro", a que dedicaria seu tempo e energia? - Robert Waldinger

Quantas pessoas você conhece que pagam academia e não comparecem um dia sequer no mês? Ou quantas pessoas você conhece que pagam cursos / faculdade e acabam sempre correndo atrás do prejuízo no final do semestre só para tirar nota e passar? Ou ainda, quantas pessoas conhece que buscam prazeres imediatos como horas na frente da televisão, redes sociais, games, bebidas, drogas, etc., e esquecem de si mesmas e dos seus relacionamentos no mundo real, afinal, estão apenas se divertindo, passando um tempo...

Todos nós corremos o risco de "queimar" tempo e dinheiro ocupando a agenda com coisas que não estão agregando valor a nossa vida de fato. De que adianta você pagar diversas especializações para incrementar o se currículo quando muitas vezes, no fim das contas, você aprende ou implementa muito pouco? Ou quem sabe, trabalhar por mais dinheiro, status, fama, reconhecimento enquanto degrada seus relacionamentos e sua própria história pessoal?

Eu mesma já fiz diversos cursos pensando exclusivamente na minha carreira anterior que, diga-se de passagem, eu não gostava. Aprendi bastante coisa que são úteis ainda, mas nunca me perguntei se eu queria mesmo fazer aqueles cursos, na verdade só os fiz por que eram exigências da área e eu precisava estar bem preparada, atualizada para permanecer competitiva, ser bem sucedida, melhorar o salário e blá, blá, blá.

Houve uma época em uma das empresas que trabalhei, que todos os funcionários do setor ficavam até tarde trabalhando pois estávamos passando por reestruturação. Uma colega havia avisado a chefia que às terças e às quintas não poderia ficar após o expediente pois estava fazendo um curso muito importante e, realmente, podia estar caindo o mundo que ela não fazia hora extra nestes dias. Uma vez, ela contou só para mim que estava fazendo aulas de dança com o esposo terças e quintas, que era sua paixão e que ela já havia faltado a muitos compromissos em função da empresa, aberto mão de muitas coisas pensando na carreira e que a empresa nunca reconhecera todo seu esforço e enfim que era hora de pensar mais nela.

Eu fiquei admirada com sua coragem! Eu que morria de medo de não atender às expectativas e ser dispensada, jamais conseguiria me ver deixando pilhas de serviço para trás e indo me divertir. Meu grande senso de responsabilidade para com os outros, com o projeto de outras pessoas, me roubou muito tempo de mim mesma por não saber colocar limites. E hoje penso sobre como LIMITES são importantes, tanto quanto o COMPROMETIMENTO, sabia? Precisa haver equilíbrio entre ambos senão sempre ficaremos a disposição do mundo, mas nunca de nós mesmos, daquilo que de fato importa no fim de tudo.

Aliás, há uma diferença enorme entre estar comprometido e estar ocupado. Pensando agora a fundo, eu acho que sempre estive ocupada com as responsabilidades e status que a carreira de Contabilista me trouxe, mas nunca de fato comprometida. Comprometimento exige conexão, entrega pessoal, vontade, automotivação, sede de ver o projeto crescer por que você fez parte dele.

E isso vale dentro e fora das organizações. Nos relacionamentos por exemplo, você pode fazer parte de uma família e não estar comprometido com os membros dela. Comprometimento genuíno necessita clareza do "Por quê" e "Para quê" você ainda quer permanecer ali apesar de tudo o que possa vir a acontecer.

É importante perceber se você tem se mantido OCUPADO PELO STATUS ou se você tem se COMPROMETIDO COM CAUSAS. Ter um diploma, mestrado, doutorado, cursos no exterior nem sempre são indicadores de que você está comprometido com algo maior, nem de que você leva o seu desenvolvimento profissional e pessoal a sério como faz parecer para os outros. Você (e só você) sabe da sua verdade.

Uma recente pesquisa realizada com a geração Y (nascidos entre 1978 e 1990) revelou que o maior objetivo de vida deles é ficar rico, e o segundo maior é ser famoso. Outro estudo realizado em Harvard acompanhou durante mais de 75 anos a vida de 724 homens, desde a adolescência até a velhice analisando ao longo do tempo diversos aspectos como trabalho, saúde, relacionamentos, etc. A constatação deste estudo foi que o principal fator para viver uma vida longa, feliz e saudável não está ligado a fama e riqueza (pois quando eram jovens estes homens também objetivavam isso), mas sim a construção de bons relacionamentos.

São os relacionamentos que nos mantém mais felizes e saudáveis, foi simplesmente essa a conclusão do estudo que de mais de 7 décadas. Na verdade, a qualidade dos relacionamentos mais próximos, mais íntimos, é o grande X da questão, ou seja, como nos relacionamos com as pessoas que nos apoiam em qualquer circunstância.

Você pode ver mais sobre este assunto na palestra de Robert Waldinger no TED Talk, um dos homens a frente deste projeto:

O título deste artigo é "Qual a melhor forma investir em si, em uma era tão competitiva?", uma era em que disputamos a atenção dos nossos filhos com a tecnologia, disputamos a companhia do nosso parceiro com os compromissos de trabalho, nosso desenvolvimento emocional com soluções paliativas em forma de pílulas, nosso desenvolvimento profissional com imposições culturais... Eu diria que além de investir na maneira como cultivamos nossos relacionamentos com quem nos ama, precisamos antes investir na forma como nos relacionamos consigo mesmos, escutando mais nossas necessidades escondidas por detrás dos sentimentos que ignoramos e ter coragem para assumi-los, agir para suprir tais necessidades com sabedoria.

Relacionar-se saudavelmente, respeitosamente, amavelmente primeiro consigo, é o que possibilita expandir e cuidar de como você vê os que estão ao seu redor e melhorar relacionamentos íntimos, até mesmo os mais difíceis. E a partir desta reconstrução interna, estar preparado para os desafios externos, só daqueles que de fato te interessam fazer parte. Cercar-se só "de quem" e "do que" interessa e construir uma vida comprometida com isso.

Abraços e Sucesso!

Sempre ouvi aquelas pessoas que dão "piti" em público sendo chamadas de mal-amadas e minha interpretação sobre essa expressão, era de que o parceiro / parceira amoroso dessa pessoa não estava fazendo direito seu papel... Quando casei aos 21 anos, eu e meu esposo fizemos o cursinho de noivos e, em uma em uma das conversas com o...